Make your own free website on Tripod.com

pinda_transparente.gif

Apresentação
ari cândido
arnaldo xavier
dorival fontana
eduardo miranda
gey espinheira
marco rheis
roniwalter jatobá
santiago de novais
souzalopes
flávio guerreiro bril
wladimir augusto
Home

lançar

Lançar

 

Lançar as palavras

no quarto vazio

apalpando os

objetos sem sentidos.

Lembrança

 

Da lembrança do mar

Da  sua visão

Antes eu via um telhado  vermelho

e  árvores verdes

com cinco pombas baratinadas

ronronando

pelo céu azul

pelo mar azul

 

 

Xamã

 

Xamã chama alma amiga agora

 

O tamandúa agarrou a flecha em seu peito

e  rápido como o arco do violino

pôs-se a soluçar de compaixão

 

O caçador trocou seu cocar e impune

está a dançar na grande lua

 

Silvos ,apitos chocalhos e pandeiros

É estardalhaço na floresta trópicalíssima

Ventos e

         Funestas idéias

         enfurnaram os totens

Trogloditas esculpiram

Tacos de beisebol e jogam

escalpos pelos campos arenosos

 

Miçangas contam ganhos

         na montanha que reluz

No mugido do boi

O jacaré vai parao céu,.

 

 

Agora

 

Agora que desaprendi dum saber

 

Amoroso, quase sanguíneo, meu

 

Coração brota em todo jardim

 

Criando luz

 

Cravado de rosas e espinhos.

 

Nãodor nem quereres

 

Nem lamentos

 

olhar, lacrimejava

 

E uma língua lambe lambia o caldo

 

Quente da dor do amor de amar.

 

 

Tapete

 

Debaixo do tapete/ um assoalho

 

Acostumado com coisas estranhas

                                 debaixo do tapete

 

Restos encontrados

 

Coisas encostadas

 

Outras escondidas

                                 são sons sãos/sons são sãos

 

De tanto passear os pés o tapete saiu pela janela

 

Antes, batia-se nos cantos livrando-se de tudo

                                 grande

 

é o entulho

                                 os insetos insignificantes

                                 mortos e desprezados

 

Alguém conte o que puder sobre o tapete mágico.

 

 

O Homem

 

O homem em grupo

 

são hienas

 

 

Riem, hienas

 

Inumanas

 

 

Mestre do vôo

 

As aves rapinas

 

 

Nem iguanas são iguais

 

Alaridos, sons florestais.

 

 

Kurosawa

 

O japonês sentado nas nuvens

 

Um homem de olhar

 

oblíquo

 

olha, um olhar que filma

 

                     pássaros e meninos que soluçam

 

e murmura algo

 

e fitar parece possível

 

neste momento ver outro ser

 

                     filmado por grandes olhos

 

castanhos

 

de um olhar

 

 

Não Ter

 

Não ter o que fazer com as idéias

 

É ficar tentado ao descontentamento

 

A uma pesada rotina

 

A acalentar paralelepípedos corcundas.

 

Pensamentos lângüidamente pendurados

 

Amadurecendo a força

 

Também acabam tendo o seu domingo.

 

 

Zen

 

O zen

 

Faz com que eu mova

 

Quando diz não

 

O zen

 

Faz com que eu não me mova

 

Quando diz sim

 

 

 

Você não precisa fazer nada

 

Terremotos, furacões, inundações e governos

 

Sua casa pode ruir, sua cabeça explodir, e você

 

Não pode fazer nada.

 

 

Abolir

 

Abolir detalhes inúteis

 

e ficar com o essencial

 

E ai de mim !

 

Que restará desses quereres

 

Destes bólides que zumbem !

 

 

Urge!

 

Urge, as contrações pélvicas

Tornam-se absolutamente necessárias

 

 

 

Uma Boca

 

Uma boca beijada, nú

No meu cartão, que veio

De tão longe

Acerta em cheio meu pescoço.

É carmim, encarnada

Escrachada em mim

 

Que me beije essa boca

Oras !

Entra agosto, e talvez

O mês do cachorro louco

Uive.

 

 

O Vagabundo Conta Casos

 

Catei palavras torturadas

 

Jogadas no lixo

 

Raspei limpei e enxagüei

 

Coloquei-as estendidas no varal.

 

Estão límpidas. O sol convém

 

E são estas as palavras recuperadas;

 

Britadeira cacareco

 

Lesma verde antena parabólica

 

Sim, Deus bocejou dois ciclones

 

Eu te amo

 

Que catzo é isso por a fora

 

 

Salvador

 

Salvador, dali donde estou, que será ?

Os cavalos correm com suas crinas ao vento

Nãotréguas

para os homens que pedem-na

e que coçam seus parcos cabelos de uma mente sofrida

 

Os cavalos voam como pégaso

Ícaro voa

O Anjo salta aos olhos do crente

Meu delírio no vôo da borboleta

 

 

Tem

 

Tem em seu poder

Palavras ásperas

Dentro de seu peito

Chispas faíscantes

Joga fora a potente arma soturna

Temores são abrandados, encontra a justa forma

Faça jus !

 

Aos injustos

 

As navalhas

 

As medalhas.

 

 

Seis Porcos

 

Seis porcos suculentos

Guardados na dispensa do armário

Onde tudo é frio

Onde tudo se conserva

E o espírito é denso e navegável

Esqueça a feijoada

Que fazem ao corpo nenhuma arquitetura

Do que não e nada é capaz

 

Agora esconde todos os saberes, para não perder o

futuro

Animal das costeletas, e os lombos

Toucinhos, pés, rabos orelhas e pernil

e todos os nomes, Francis bacon.

 

 

Mariposas

 

Ao fundo uma forma feminina

 

Uma luz suave contorna seu corpo

 

E faz caricias em seu dorso

 

Ela me chama e sinto seu hálito

 

 

Estou próximo, cavalga sobre mim

 

Beijando minha boca e dando de comer a um faminto

 

Sob o vôo intenso das mariposas.

 

 

Quando

 

Quando eu meto as mãos pelos

Pés

Uma mulher de infinita sedução diz,

Sou fatal

 e uma penca de bananas

amadurecem a força.

 

 

O Homem Bom

 

O homem bom

Envelheceu

E com ele a bondade

ficou

o homem bom é um

poema in-útil


© casa pyndahýba ®
2oo6 - 2oo7 - 2oo8