Make your own free website on Tripod.com

pinda_transparente.gif

Apresentação
ari cândido
arnaldo xavier
dorival fontana
eduardo miranda
gey espinheira
marco rheis
roniwalter jatobá
santiago de novais
souzalopes
flávio guerreiro bril
wladimir augusto
Home

bocadinhos y silogismos

1.

Não estamos nem nus ainda

 

Amor tranqüilo é pura sorte

 

Por isto estou internado no

 

Hospital Para Pessoas Sem Amor

 

(todos os românticos se fodem)

 

e fica no cu do mundo

 

 

2.

Perguntas sobre o passado

 

Deselegância repetitiva

 

Todo desjejum todo desjejum

 

A vida é aberta como romãs

 

Abertas e peladas

 

tão pornográfica e

 

Tão abarrotada de porquês

 

 

3.

Nem me lembro de ter sido Átila

 

Lembro dos parentes mortos

 

Como posso sê-lo, tão calado

 

Hoje sou eu mesmo

 

De  modo menos definitivo

 

Que nas férias

 

Não sou eu que me enfado

 

Se todos estão em Casas de Loucos

 

É que ando vivo e na minha

 

 

4.

Manter os movimentos nos objetos

 

Nas coisas todas em que tocou

 

Como se fossem mexidas de pouco

 

Assim parece que ainda andas em vulto

 

A bulir nas coisas com cuidados de ladrão

 

E rouba-me, leva-me, lava-me, deixa eu

 

Não deixa eu.

 

 

5.

Hoje me jogaria na frente dos automóveis

 

Pela última vez te vi e pegaria uma boléia

 

Nada de deusmelivres, ia-me,

 

Pela décima vez

 

Pela ónzima vez

 

É melhor não ir-me triste aos diabos,

 

Que morrer-me um velho fausto despeitado.

 

 

6.

Realidade pralém de mim

 

Mais de trinta preciso de tinta

 

E se tivesse de dar nome ao mundo

 

Não lhe chamaria o que chama

 

A toda hora tudo precisa de batismo

 

 

7.

Para do tempo fui atirado como um dardo

 

Para antes como um cometa

 

E para o agora penugem

 

 

8.

Aqui te encontro meu tempestivo combatente

Como Spartacus lutando sozinho na Frígia

Ter guardado a espada não é vantagem, é suado

E para não retomar este tema epopéico e clássico

para dizer que do mesmo modo ao fim da ceia

Me meto no meio do nada, nada não sendo Boas Novas

De uma avenida cinzenta e sem beleza lixada do vento

Eu disposto na realidade como um sashimi evangélico

Tal brilho do astro no trem espanhol

Mascavo minha vida como mordendo fio de navalha

Pássaro nebuloso, águia fortuita, bico espartilho.

 

 

9.

Me invade hoje de manhã

Um desespero grande

Tipo grande e existencial

Como de grotas frias

Que esperam verdes seus minutos de sol

Como das bergamotas

Que esperam em gomos

Como esoeram as maçãs

Como todo o que se posto à mesa

hoje amanheceu mais simples

Frutas baratas, encontradas em  quantidade

As bananas tão sem pressa deitadas na fruteira

ficam pintadinhas primeiro, depois enegrecem

Depois acabam não prestando mais, muito cheirosas

E costumam ficar tranqüilas nos sacos pretos de lixo

Como um travesti debaixo de garoa no mes de julho.

 

 

10.

stereo playing almodóvar,

nós na cama é o bicho

gato

 

rondando curioso

tinha medo,

mas vi tais

fotos, tipo o que fazer

 

nada vou

levar, hálito, esperma, rememberings

espremem lasso meu ânimo

 

sou um iceberg com calda quente,

tatuado nas

costas de

desenho tribal.

 

 

11.

não é justo hipotenusa

mais ser assim trilógico

te chama de Medusa

mêmo no Marais

vamos ver o rapáis neste repas

de ser insólita a vida cansa

mêmo no Marais

mais ver assim com estes óculos é ridículo

um rádice, apicórtice, cartesiano

te leva pro Beauborg.

 

 

12.

sonata no armário mente solta as  gavetas

 

gorgoléu fábio não liga e árvore faz perguntas

 

qualé, floo sem respostas, nada objetivo

 

ora, eu não, sou uma coluna frigia estacada

 

tudo houvera em mim e fora simples

 

ora, logo eu, um bretão, du midi noveau.

 

 

13.

Pairava entre nós uma dúvida

 

Figuras crestadas cinabres árvores

 

Te escondias, como posso acreditar!

 

Eu que sei é bem pouco

 

Parar um escuro no meio da retina

 

Paira entre a lua afina e violina

 

Círculos imensos me anunciavam: chuva

 

Eis que ventou.

 

 

14.

menino olha meus olhos e não sei onde olho o

 

 

15.

sou como se não estivesse como sou

e mole como um juá dormindo sol do sítio

tô maria mole de vendinha,

doce de abóbora

 

de coração: 20 centavos

de peito: 200 m nado livre

medley: nem vi

 

 

16.

luzia velha

detrás do baú uma outra ria

era eu não era ela

Uiraquitã a nossa Medéia dos trópicos

cabelos pretos tal prisma malê

oriunda dos astros malaios disse:


© casa pyndahýba ®
2oo6 - 2oo7 - 2oo8