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roniwalter jatobá














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Adeus, poeta!
 
Faleceu, no começo da tarde de 26 de janeiro, o poeta Arnaldo Xavier. Um infarto fulminante o vitimou, novo ainda, aos 57 anos, um dia após acompanhar a passagem dos 450 anos de São Paulo, megacidade que o acolheu no final dos anos 60.

Nascido no bairro de Santo Antônio, em Campina Grande, na Paraíba, Arnaldo publicou livros como a Rosa da Recusa, de 1979, e foi parceiro do compositor baiano Gereba em muitos títulos musicais, como “Forró da Baronesa”, “Nas asas do Velho Chico” e “Arrasta-pé da Fiel”. Seu último trabalho na música foi justamente um frevo em torno do aniversário de São Paulo. Sobrevivia como funcionário da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da prefeitura de São Paulo.

Conheci Arnaldo Xavier em meados dos anos 70, nos bares paulistanos, em plena ditadura militar. De lá para cá fomos amigos inseparáveis, unidos, sobretudo pela literatura e atuações em defesa da democracia e da igualdade social no país.

Com o também poeta Aristides Klafke e Arnaldo fundamos as Edições Pindaíba, uma editora marginal que editou inúmeros artistas. Uma das últimas publicações foi a antologia Contralamúria, de 1994. Com 382 páginas e reunindo 73 autores, era uma sincera homenagem ao afeto. À festa. À alegria. Era, em suma, uma salada mista e ecumênica para comemorar os vintes anos da editora.

Com a sua morte, ficou, no entanto, um projeto que um dia sonhávamos fazer. Era uma antologia que iria reunir diversos  escritores  contando  como  viram  São Paulo pela primeira vez. Arnaldo me mostrou suas primeiras anotações:

“Era fim de outubro, 1969. Vista ao longe da rodovia Anhanguera, a cidade estava encoberta por uma neblina reluzente e nervosa, a garoa? As silhuetas compostas pelos prédios configuravam São Paulo, como a boca de um gigante, cujos dentes ameaçavam morder rubras nuvens dispersas ante os primeiros e tímidos raios de um sol de quase dezembro. Lá estava São Paulo, gigante deitado sobre o planalto de Piratininga, molhando os pés enfumaçados ora em Cananéia, ora em Itanhaém, ora em Ilhabela. Diante daquele primeiro olhar, a enorme boca foi pouco a pouco se traduzindo em ruas, avenidas, pontes e viadutos. Ali estava, flácido e sujo, o rio Tietê, expondo as fraturas de seu destino de locomotiva e de promessa de dias melhores”.

Nosso grupo Pindaíba perdeu um poeta – e amigo. Segundo seu conterrâneo, o escritor e jornalista paraibano José Nêumanne Pinto, Arnaldo morreu fazendo aquilo que mais gostava de fazer na vida: escrever. Foi enterrado num lugar onde escolheu em vida: no cemitério da Consolação, onde repousam os restos mortais de um batalhador que ele admirava, o jornalista abolicionista Luiz Gama.


(roniwalter jatobá)
















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